Florianópolis - SC

São 50 km de comprimento por 18km de largura, de uma fantástica ilha que possui características e muita diversidade em pequenos espaços de tempo. Do sotaque açoriano do distrito de Rio Vermelho, para o da lagoa da Conceição, a maior lagoa de ilha do Brasil, são apenas 20 km e dois mundos. Da solidão da Praia dos Naufragados, para o burburinho do bar Box 32 no Mercado Municipal, são 30 minutos.

O urbano convive com os rústicos recantos naturais, entre praias e montanhas cobertas de Mata Atlântica, mais de dez ilhas, duas grandes lagoas e quilômetros de dunas, restingas e manguezais. Em 1675, os irmãos Francisco e José Dias Velho fundaram o povoado de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. De 1748 a 1756, o governo português estimulou a imigração de colonos vindos da Ilha da Madeira e do Arquipélago dos Açores para firmar a colonização. A maioria desses colonos era desterrada, daí a denominação do povoado.

Os açorianos trouxeram consigo valores culturais e religiosos fortes, além de conhecimentos técnicos que facilitaram sua adaptação e incorporação ao processo produtivo da nova terra. Os primeiros 5 mil açorianos que chegaram à Ilha de Santa Catarina não eram pescadores, mas a vocação óbvia deste pedaço de terra cercado de água por todos os lados não tardou a fazer valer sua lei. Aperfeiçoando canoas utilizadas pelos Índios Carijós com conhecimentos trazidos dos Açores, os imigrantes transformaram o mar em fonte de sustento.

Com isso, a pesca passou a dividir, com a agricultura, o tempo e a própria vida dos colonos. Os ranchos de pescadores transformaram-se em centros sociais e importantes focos de preservação da cultura, como já acontecia com os engenhos de mandioca e cana. Até hoje, os pescadores atravessam os meses de inverno agrupados nos rústicos barracões de praia, onde ficam os barcos. Ali trocam experiências, contam "causos", tramam e consertam redes, enquanto aguardam o grito do vigia, anunciando a aparição de uma "malha" de tainhas.

Cobiçada por corsários espanhóis e belgas a partir de 1737, começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha. Com isso, tiveram prosperidade a agricultura e a indústria manufatureira de algodão e linho, permanecendo ainda hoje, resquícios desse passado no que se refere à confecção artesanal da farinha de mandioca e das rendas de bilro. Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade e Armação do Pântano do Sul .

No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. Projetou-se a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos, entre outras obras urbanas. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845). Com o advento da República (1889), as resistências locais ao novo governo provocaram um distanciamento do governo central e a diminuição dos seus investimentos. A vitória das forças comandadas pelo Marechal Floriano Peixoto determinaram em 1894 a mudança do nome da cidade para Florianópolis, em homenagem a este oficial. A cidade ao entrar no século XX, passou por profundas transformações, sendo que a construção civil foi um dos seus principais suportes econômicos. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos somaram-se à construção da Ponte Governador Hercílio Luz, como marcos do processo de desenvolvimento urbano.

Hoje Florianópolis com mais de 400 mil habitantes, está dividida entre o continente e a ilha cheia de praias e de incríveis belezas naturais.

O centro urbano localiza-se entre o Morro de Antão e as baías Norte e Sul, a poucos quilômetros do efervescente centro comercial e financeiro da capital, podem ser encontradas localidades onde o tempo parece parado, e as tradições são preservadas.

Comunidades pesqueiras como Barra da Lagoa e Armação, são exemplos da arquitetura típica como as do Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa, e principalmente a unidade cultural do povo do interior da ilha confirmam: apesar das inevitáveis influências externas. O espírito açoriano continua vivo no cotidiano da cidade, em suas diversas vilas, casas e pequenos prédios que até hoje exalam o charme da antiga Desterro.

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